Doçaria tradicional portuguesa

Como todos devem saber, muita da doçaria tradicional portuguesa tem origem conventual. Na sua grande maioria tratam-se de receitas seculares criadas por monges e freiras e que utilizam um número bastante limitado de ingredientes. Por aquilo que já li, a doçaria conventual era confecionada com os ingredientes que estavam à disposição dos religiosos nos mosteiros. Usavam os ovos das galinhas que criavam e a farinha do trigo que cultivavam e depois faziam aproveitamentos de alimentos que iriam ser desperdiçados...pecado mortal! (ou como eu costumo dizer a alguns idosos, não se pode estragar comer com tanta gente a passar fome que é pecado!) 
Com ovos e açúcar como os seus principais ingredientes, estes doces não são do agrado de toda a gente. E apesar de eu adorar coisas mesmo muito doces, mesmo para mim alguns são doces demais. O doce que hoje deixo aqui é mesmo muito doce, mas comido em pequenas quantidades é muito agradável. 
Eu encontrei a receita de Migas Doces quando tinha uns 12 anos nuns recortes que a minha avó me guardou de imensas receitas e conselhos para donas de casa (daqueles tipo, como retirar nódoas de vinho tinto da nossa toalha de mesa preferida). Eu fiz a minha selecção e tenho livros cheios destes recortes que de certeza de virão a ser úteis. Esta receita já nem preciso de consultar porque há muito a sei de cor. Juntam-se 300g de açúcar, a 3 dl de água e levam-se ao lume até atingir o ponto de estrada (passando a colher de pau no diâmetro do tacho, a viscosidade do açúcar deve permitir a formação duma linha). Acrescentam-se 3 pães com 2 ou 3 dias desfeitas em pequenos pedaços e deixa-se ferver. Depois apaga-se o lume e deixa-se arrefecer um pouco. Juntam-se 6 gemas e mistura-se bem para que não talhem e leva-se de novo ao lume até as gemas cozerem. No fim deita-se numa travessa e polvilha-se com canela. 
Em minha casa este é daqueles clássicos do natal, para mim é daquelas coisas que ao longo do ano vai apetecendo comer! E sem querer ser erége, que Deus abençoe os monges e freiras que dedicaram a sua vida à oração e foram inspirados a criar estes doces! 



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