Bacalhau Primavera

Hoje acordei cedo a ouvir a chuva a bater na janela, e eu estava quentinha na cama e olhei para o lado e vi o meu amor e inspiração para todos os meus cozinhados e pensei que já sentia mesmo falta deste tempo. 
Depois saí, e estava uma temperatura estranha e vento e molhei-me e lembrei-me que em todas as estações há lados negativos. Então, apeteceu-me trazer um pouco de primavera para este outono. Na verdade, já estava pensado fazer esta receita, isto tudo só tornou a escolha mais adequada. 
O bacalhau foi cozido em água com sal e um ramo de coentros. Depois desfiado para envolver em cebolas, alho e cenouras raladas e coentros picados refogados em azeite. Envolvi batata palha e um molho bechamel feito com leite e maisena. 
Depois de tudo envolvido vai ao forno polvilhado com pão ralado e retira-se quando já está douradinho. 
É um prato quentinho para um dia chuvoso, mas tem sabor e cor de prato primaveril!


Sopa de Outono

Chegou o Outono, e por muitas saudades que possamos ter do Verão e dos seus dias quentes em que só apetece comer uma salada fresca, estes dias que começam a pedir um casaco em que já apetece uma bela sopa também têm o seu valor.
 Para mim o Outono é bom pelas cores e por trazer consigo os sabores ricos das castanhas ou das romãs. Hoje não usei nada disso...fiz um creme de cogumelos, de sabor rico, de aspeto menos bom. Se me mandassem comer esta sopa sem a cheirar, ou sem saber o que estava lá dentro, confesso que ficaria na dúvida. Mas a nuvem de cheiro a cogumelos que invade a cozinha torna inevitável provar. 
E este creme de cogumelos é simples e rápido de fazer...3 batatas, 1 cebola, 1 alho francês, 2 dentes de alho e 500g de cogumelos frescos. Tudo dentro de uma panela de água a cozer por 20 minutos e já está! Tritura-se e serve-se. 
Hoje, e para deixar um pé na frescura do verão, servi com coentros picados. Dá uma frescura no sabor e melhora um pouco o aspeto! Para acompanhar, só um excelente vinho tinto português! 


Bolo de Amoras Silvestres

Continuando a saga das amoras...fiz um bolo de amoras. Um bolo em camadas de pão de ló e um creme de amoras e natas, com pouquíssimo açúcar. 
Um pequeno segredo...o bolo, ou melhor as camadas de bolo, foi de compra. Há alturas em que temos de cozinhar debaixo da pressão do relógio e não lhe conseguimos escapar. Com compromissos que vêm atrás, e pessoas a chegar pouco mais à frente, por vezes temos que encontrar atalhos e este é um que já usei no passado e, como até gostei, vou continuar a usar. Existem no mercado camadas de bolo já embaladas que servem bem o propósito quando estamos a fazer um bolo em camadas com creme. O sabor que vai sempre predominar é o do creme e as que costumo usar são bastante fofas e não prejudicam em nada o resultado final. Caseiro seria melhor???  Claro, mas a pressa é inimiga da perfeição! E depois o segredo está mesmo no creme!
E para fazer o creme batem-se 2 pacotes de natas em neve bem firme. As natas devem estar sempre bem geladas para se conseguirem bater. Por isso deixei-as no congelador uns 15 minutos e gostei desta nova técnica (coisas que se vão aprendendo com quem também escreve sobre cozinha!). Antes disso, já tinha colocado ao lume cerca de 0.5kg de amoras com 2 colheres de açúcar até fazer um xarope. Quando as amoras já estiverem cozinhadas é só triturar com a varinha mágica. Deixei arrefecer um pouco o doce das amoras e depois juntei às natas. Depois foi só montar o bolo em camadas e barrá-lo por fora. Decorei com algumas amoras inteiras e acho que nunca me senti tão orgulhosa de um bolo feito por mim! 

Salmão com molho de Cogumelos

E esta é também uma reedição de várias receitas de salmão que já aqui tenho colocado. Apetece sempre qualquer coisa de diferente e desta vez o acaso favoreceu a diferença. Andava às compras e encontrei uns cogumelos frescos bastante baratos. Quando cheguei a casa arranjei-os e cortei-os em quartos. Fritei dois lombos de salmão temperados com sal e pimenta. Depois de cozinhados retirei-os do lume e fiz um molho rápido com os cogumelos e umas natas. Não é lá muito saudável, mas ficou delicioso! Acompanhado de um discreto, mas muito aromático arroz basmati faz um jantar rápido, prático e muito bom! 




Sangria!

Porque uma boa bebida é tão importante para uma refeição como a comida hoje deixo uma referência da sangria que fiz ontem para o jantar. 
Havia uma garrafa de espumante rosé no frigorífico e de repente ocorreu-me: uma mão cheia de amoras, uma maçã em pedaços, uma colher de açúcar amarelo e um pau de canela e põe-se tudo a macerar com uma qualquer bebida alcoólica num jarro (eu usei ginjinha). Mesmo antes de servir é só acrescentar o espumante e mexer bem. O aroma das amoras espalha-se por toda a sangria...fica delicioso, para quem gosta de bebidas doces. 
E ainda dá um bónus...para sobremesa pode-se comer a fruta!  


A minha primeira compota

Na infância ajudei a fazer marmelada muitas vezes...e também ajudei a comer muitas vezes! Mas sozinha nunca tinha feito nenhuma, por isso vou contar a história da minha compota de amora e lima. 
É uma história um pouco longa...começou há cerca de um ano. Eu nunca tinha ido às amoras. Ao longo dos anos ensinaram-me que as silvas eram uma coisa terrível, mas deixaram de fora a preciosa informação de que também podiam ser vistas como a fonte de um fruto delicioso! No ano passado, fui pela primeira vez às amoras...era uma bela tarde de final de agosto e, com o meu namorado, apanhámos quase 1kg de amoras. Infelizmente estragaram-se quase todas porque demorámos demasiado tempo a decidir o que fazer com elas. Ainda aproveitámos as suficientes para fazer uma bela mousse, mas na minha mente ficou a ideia de que poderia fazer muitas coisas interessantes. Mas falatava a matéria prima e as ideias ficaram na gaveta. 
Então, neste último mês de junho elas voltaram a borbulhar. Num passeio pela mata comecei a ver silvas a florir e pequenas amoras a formar-se...as ideias voltaram a borbulhar!

Passados 2 meses e pouco comecei a ver que elas já estavam maduras, negras, lindas. E melhor, este ano parece haver muitas mais! 

E então começámos a apanhá-las! Apanhámos cerca de 1,5kg e, para evitar que se estragassem fomos congelando. Tive algum receio que perdessem o sabor, mas também não queria ver aquele trabalho todo ir para o lixo. Sim, porque ao longo de todo o processo da apanha houve um pensamento que me foi invadindo a mente:"Se a vida fosse suposta ser fácil, uma fruta tão doce como as amoras nunca poderia nascer numa planta tão espinhosa como as silvas!" 
E no fim de já ter uma quantidade considerável experimentei a fazer a compota...que no fim acabou por ser um doce, porque não gosto muito da fruta inteira. 0.5kg de amoras, 0.5kg de açúcar, raspa e sumo de uma lima e colocar ao lume até fazer ponto de estrada. Depois coloquei nuns frascos bonitos de conserva no fim de estar morna. 

Ficou com um sabor demasiado forte a lima, ainda assim não está terrível. E faz um pequeno almoço bastante bom! E ainda há mais 1kg no congelador para fazer muita mais coisas! 

Massa com legumes da terra

É bem sabido que adoro massas! E adoro cozinhar com ingredientes verdadeiros, daqueles que vêm da terra e ainda estão frescos! 
Esta massa é um perfeito exemplo disso...juntei um fantástico tagliatelle, espargos verdes frescos, cogumelos marron e bacon em pedaços para completar a proteína. Um tempero de tomilho e alecrim e saiu um prato aromático e verdadeiro, com muitos sabores da terra. Excelente para um almoço de um dia quente! E como as boas coisas que vêm da terra, também esta é de poucas palavras...