Fusilli com Espargos e Bacon

Para um belo jantar de férias, um belo prato de massa. Para hoje, uma invenção a partir de um prato que vi numa revista. Quando vi, mostrei ao meu namorado e ele disse: " É a próxima coisa que temos de fazer!". Não foi bem a próxima, mas aconteceu. E a expressão "temos" também não é em vão, porque quando cozinho é sempre com a preciosa ajuda dele. 
Agora, quando eu vejo uma receita qualquer, onde quer que seja, aquilo que eu faço é sempre uma coisa aproximada. Nunca aposto em copiar, porque não ficará exactamente ao meu paladar...mas acho que isso acontece com toda a gente. Para este prato usei fusilli. Cozi um molho de espargos verdes frescos, já cortados em pedaços pequenos. Depois foi refogar 2 cebolas cortadas em meia-lua e 2 cenouras cortadas em pequenos pedaços em azeite, juntar-lhe bacon em cubos e cogumelos laminados. Deixei reduzir os sucos  dos legumes e juntar natas parmalat carbonara.Temperei com sal, pimenta e tomilho (uma erva aromática que vai muito bem com cogumelos e bacon). Juntei a massa ao preparado anterior e foi ao forno polvilhado com queijo mozarella. 
No fim disto tudo, acompanha-se uma boa comidinha com um belo vinho tinto e tem-se um grande jantar na melhor das companhias! 



Tripas?!

"Um dia havemos de ir comer uma tripa! É muito bom"
"Uma tripa?! Provei dobrada uma vez e não gosto..."
"Não, uma tripa...é um doce. Com ovos moles fica mesmo bom!"

Para ser sincera, não terá sido assim a conversa com o meu namorado que trouxe ao meu conhecimento este doce, mas ter um blogue também deve deixar espaço à escrita criativa. Nunca tinha ouvido falar de um doce chamado Tripa. E há umas semanas fomos mesmo provar. Não foi em Aveiro, e segundo a minha companhia, não era a melhor tripa do mundo. Mas numa avenida cheia de gente, num dia de sol (um bocadinho de vento a mais) e com a melhor companhia do mundo a dita tripa recheada de ovos moles e polvilhada com canela soube à melhor coisa do mundo! Uma maravilha gastronómica! 

Memórias

A semana passada ter-se-ia comemorado o aniversário de uma querida tia, caso ela ainda estivesse entre nós. Para mim, a comida faz parte até das memórias mais longínquas. Consigo lembrar-me dos cheiros e texturas da comida de Natal, dos aniversários...e adoro lembrar-me dessas coisas. Parece que tudo é mais intenso quando somos crianças, até mesmo os aromas e os sabores. 
Desta tia lembro-me de belíssimos pastéis de bacalhau e da sopa de feijão que os tios e primos da Alemanha ansiavam por comer quando chegavam no Verão. Acima de tudo, lembro-me das mesas enormes  cheias de gente e dos piqueniques no pinhal na 5ª feira da Ascensão. E lembro-me de um ensinamento de que nunca me poderei esquecer: "Quando o teu homem te chamar para um passeio, põe um pano por cima da loiça e vai...ela ainda lá estará quando voltares!". 
Memórias boas criadas à volta da mesa! 

Criatividade demasiado além

Na cozinha podemos criar boas e más memórias...podemos fazer coisas extraordinárias e coisas demasiado más para ser verdade (tipo, arroz basmati com um pau de canela, ou seja, arroz doce para acompanhar comida, ou bifes com molho de chocolate que ainda anda a dar nauseas ao meu namorado). Há outras que simplesmente nos desiludem...esta experiência que fiz foi uma dessas situações. 
Era um dia especial, o aniversário do meu namorado. Tudo o que eu queria era fazer um jantar especial para nós. Não tinha um plano delineado e surgiu a oportunidade de cozinhar costeletas de borrego. Borrego é uma carne difícil...necessita de um tempero acertado para ser agradável. Então, na minha cabeça delineou-se um plano e fiz uma marinada com sal, pimenta, mel e mistura de caril e fritei a carne. Achava que ia ficar delicioso, esperava que fosse ficar delicioso...mas, nem por isso. Para o meu paladar ficou bom, mas não era de todo aquilo que tinha em mente e acabou mesmo por ser uma desilusão. Enfim, foi um perfeito exemplo de situações em que as coisas são melhores pensadas do que feitas. 
Talvez dê para aperfeiçoar a receita um dia destes. 



Cannelloni a duas cores

Há dias em que a inspiração nos escapa e outros em que até nos pode assustar...um dia desta semana resolvi que o jantar seria cannelloni. Ainda assim, apetecia-me algo de diferente! Não queria a escolha típica da massa recheada com uma bolonhesa meia inventada por mim e foi aí que me lembrei que poderia rechear alguns com espinafres e queijo. Não conseguindo encontrar o queijo mais apropriado e por falta de tempo e vontade de entrar em mais um supermercado cheio de gente, lembrei-me de que havia uma coisa no frigorífico que poderia representar exactamente o factor de inovação que eu procurava: pesto! 
Descobri esta mistura de manjericão, azeitonas e pinhões há pouco tempo numa ida a uma pizaria com o meu namorado. Ambos gostámos, apesar do sabor intenso que obriga a um consumo moderado. Comprámos um frasco de pesto já feito, porque talvez não valesse muito a pena fazer em casa de raiz. Agora havia que gastar o que tinha sobrado da preparação de uma outra massa. Saíram então cannelloni recheados de "bolonhesa" e outros recheados de espinafres salteados e pesto. 
Para a bolonhesa, o habitual refogado de cebola, alho e azeite com louro. Acrescento a carne picada, cogumelos laminados e polpa de tomate e tempero com sal e piri-piri moído. Deixo apurar em lume brando para adquirir algum sabor. Para o outro recheio basta cozer espinafres e depois salteá-los e acrescentar duas colheres de sopa de pesto. 
Depois basta rechear a massa e cobrir os tubos de molho bechamel. Pessoalmente, faço os cannelloni com massa de lasanha e enrolo à mão (hábitos adquiridos e nem sei bem porquê). Vai o tabuleiro ao forno polvilhado de pão ralado e...bom apetite!! 



Sobremesa para totós

Se um dia vos apetecer uma sobremesa bem doce, que seja rápida de fazer e simples considerem esta opção. Basta preparar uma gelatina de morango e depois de ela estar sólida cortem-na aos cubos. Enquanto a gelatina solidifica prepara-se um pudim de morango instantâneo e quando estiver frio envolve-se nos cubos de gelatina. O resultado é uma sobremesa bem doce, mas fresca, pelo que não se torna enjoativa.
Agora uma pequena confidência...esta sobremesa para totós não é muito à prova desta totó que vos escreve...sou quase incapaz de preparar uma gelatina que fique bem. Por isso, conto com a ajuda do meu namorado para essa parte da preparação! Bom apetite!

Viagem ao Oriente

Desde sempre pensei que alguns elementos da nossa vida podem fazer-nos viajar no espaço e no tempo...há aqueles cheiros que nos lembram coisas da nossa infância, os livros que nos levam a terras distantes, e há a comida que nos pode levar em segundos a lugares onde nunca fomos e talvez nunca iremos. 
Hoje partilho uma viagem à Índia que aconteceu através de um caril de camarão. O caril é uma comida que nem toda a gente aprecia...tem um saber e um cheiro fortes que nem todos conseguem apreciar. Para mim é uma comida que faz lembrar a infância porque desde sempre a minha avó e a minha mãe o fizeram lá em casa. A minha avó aprendeu a fazer em África com uma família de indianos e foi passando a receita. Em minha casa fazia-se com frango tipicamente, mas entretanto descobri que sabendo a base se consegue fazer de quase tudo. 
Apesar de poder parecer complicado acaba por não ser. Basta refogar 1 cebola grande, picada grosseiramente com azeite e acrescentar-lhe uma lata de tomate em cubos. Deve deixar-se cozinhar uns minutos e depois acrescentar a proteína do caril (pode ser frango, borrego, peixe, camarão), neste caso, o camarão. O camarão convém estar descascado e previamente temperado com sal. Deixa-se cozinhar o camarão e, em seguida, adicionam-se os condimentos, 1 colher de sopa de açafrão das índias em pó e 1 colher e meia de sopa de mistura de caril. A partir desta altura, e se não tem o hábito de fechar a porta da cozinha enquanto está a cozinhar, aconselho que o faça ou a casa vai cheirar a caril durante dias! Após acrescentar os condimentos deve acrescentar 1 lata de leite de coco, o que vai dar volume ao molho. Depois é deixar apurar até que o molho fique quase todo homogéneo e cremoso. Pode acompanhar-se com arroz basmati (aquele que uma amiga um dia me disse cheirar a pipocas) ou cuscuz, um acompanhamento simples e rápido que assenta muito bem com o molho do caril. Bom apetite!